Pensão por morte na união homoafetiva: como o companheiro comprova a relação no INSS
Saiba como funciona a pensão por morte na união homoafetiva, por que o companheiro é dependente de primeira classe e quais provas o INSS aceita da relação.
O(a) companheiro(a) de uma união homoafetiva tem os mesmos direitos previdenciários de qualquer outra união estável, inclusive a pensão por morte. O INSS reconhece a relação entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar, o que garante ao parceiro sobrevivente a condição de dependente. Veja como o benefício funciona e como comprovar a relação.
1. O companheiro é dependente de primeira classe
Na estrutura de dependentes do INSS, o(a) companheiro(a) em união estável, incluindo a homoafetiva, faz parte da primeira classe, junto do cônjuge e dos filhos menores de 21 anos ou inválidos. Isso significa duas coisas importantes:
- Tem prioridade sobre pais e irmãos do segurado.
- A dependência econômica é presumida, ou seja, não precisa ser provada como acontece com os pais.
O que precisa ser demonstrado é a existência da união estável, ou seja, a convivência como um casal de forma pública, contínua e duradoura.
2. Como comprovar a união estável
Como muitos casais não formalizam a relação em cartório, a prova costuma ser feita por um conjunto de documentos. Servem como início de prova, entre outros:
- Declaração de união estável registrada em cartório.
- Conta bancária conjunta ou dependência declarada em plano de saúde.
- Comprovante de endereço em comum e correspondências no mesmo endereço.
- Declaração de imposto de renda com o(a) parceiro(a) como dependente.
- Fotos, mensagens e testemunhas que confirmem o relacionamento.
Se você ainda não tem um documento formal, é possível montar a Declaração de União Estável para reforçar o conjunto de provas.
Quanto mais documentos contemporâneos à relação, maior a segurança. O INSS avalia o conjunto de provas, e não um único papel isolado.
3. Valor e duração da pensão
O valor segue as regras gerais da pensão por morte, calculado a partir do benefício que o segurado recebia ou teria direito a receber, e a duração depende da idade do dependente e do tempo de contribuição do falecido, podendo ser vitalícia ou por prazo determinado.
Havendo outros dependentes de primeira classe, como filhos, o benefício é dividido em cotas. Para estimar valores e prazos, use a nossa Calculadora de Pensão por Morte.
4. Como dar entrada no pedido
O requerimento é feito pelo Meu INSS ou pela central 135. Reúna com antecedência:
- Certidão de óbito do segurado.
- Documentos pessoais do companheiro requerente.
- As provas da união estável listadas acima.
Se o INSS indeferir o pedido por falta de prova da união, é possível apresentar novos documentos em recurso ou buscar o reconhecimento na Justiça, que já pacificou o direito das uniões homoafetivas.
Reúna as provas da relação antes de protocolar
A comprovação da união é o ponto mais sensível nesses pedidos, então organize os documentos com cuidado e antecedência. Veja também as regras gerais da pensão por morte e outros direitos no hub de notícias do FocoPrev.
Autor
Equipe FocoPrev
Redação Especializada em Previdência
Time de jornalismo de utilidade pública dedicado a traduzir a legislação previdenciária para o cidadão, com base em fontes oficiais (INSS, Dataprev e Diário Oficial da União).
Artigo revisado por Brenda Gutierres , consultora previdenciária. Consultora previdenciária especialista em regimes de previdência e cálculo de benefícios. Revisa tecnicamente o conteúdo publicado no FocoPrev.